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sábado, 13 de outubro de 2012

PROFESSOR DE EDIÇÃO DE VÍDEO

No dia 10 de outubro de 2010, eu ministrei uma oficina de edição de vídeo. Esta oficina foi realizada no Cineclube Pilar, no espaço da Associação Amigos de Bairro do Jardim Canadá, através de uma parceria com o projeto Rádio Escola. Foram 4 horas onde ensinei o básico da utilização do programa Vegas 7, mostrando os primeiros cortes e montagem inicial, além dos efeitos mais simples que podem ser acrescentados. Após a demonstração, foi feita uma sessão de perguntas e respostas com os presentes, onde cada dúvida era demonstrada na prática. Esta foi minha segunda "aula" prática, contando com a forma como ensinei produção durante as filmagens de O INIMIGO. E espero poder ter outras oportunidades de repassar meus conhecimentos cinematográficos, pois ensinar é tão bom quanto aprender e fazer. Lembrando que essa ação também fez parte do "Cine Mais Cultura", do governo Federal e do Ministério da Cultura. Na época, fazíamos parte desse projeto.

Acima, alguns dos presentes. Abaixo, o telão com a projeção da aula.


Abaixo, eu durante o workshop.


Abaixo, José Cabral, presidente da Associação Amigos de Bairro do Jd Canadá.


Uma das alunas do workshop.


Outros alunos presentes.



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PALESTRANTE EM UM EVENTO DE CINEMA

Bem, na verdade, não foi bem assim...hehehe. Em 2009, eu fui convidado, junto à outros produtores audiovisuais da região do ABC paulista para participar de uma mesa redonda sobre a produção de filmes de nossas cidades. O evento ocorreu no espaço "Estação Jovem", de São Caetano do Sul. Apesar da pouca presença do público, foi uma conversa bastante divertida e esclarecedora, que serviu pra fazer amizades, e plantar as bases pra outras ações que começaram na região anos depois, e seguem até hoje.

Após essa participação, fui convidado para ser um dos jurados do do 2º FESTIVAL DE VÍDEO DE SÃO CAETANO DO SUL, no ano seguinte.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

DA DISCRIÇÃO

DA DISCRIÇÃO, é um poema do MÁRIO QUINTANA, que foi recitado por Cris Oliveira, durante a produção de um de nossos curtas.
No momento, o que parece ser apenas "uma mente vazia funcionando como a oficina do diabo", se tornou um pequeno curta com uma linguagem. Talvez não seja grande coisa, nem se torne uma bela obra artística, mas, de qualquer forma, foi feito, e está aqui.



Como brincadeira, colocamos até a abertura dos Grindhouse do Tanrantino e Robert Rodriguez antes do filme.

Neste filme, quem teve a ideia inicial foi Jorge de Barros, e eu atuei operando a câmera e editando.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

PAPO DE BOTECO

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Em 2010, o segundo longa metragem do qual eu fiz parte foi finalizado.
Trata-se de PAPO DE BOTECO, um filme composto de vários episódios onde duas oou mais pessoas conversam sobre qualquer assunto, em um bar, claro.
Filmado durante o mês de julho de 2009, pelos bares da Bela Vista, em SP, o filme foi lançado no ano seguinte.

Assim como no CAMINHOS DO CINECLUBISMO, de 2008, do mesmo diretor DIOMÉDIO PISKATOR, eu participei como captador de som, e assistente de produção executiva.
A ilustração acima era pra ser a capa do filme, mas acabou não sendo usada.







Como pode ser visto, o filme tem a participação de grandes atores.





Trailer do filme:


Este trailer tosco foi editado por mim. A ideia do trailer também é minha, mas feita sob orientação do diretor, e com as fotos de Jesus Carlos, fotógrafo oficial do filme.







O filme pode ser adquirido em DVD. Quem se interessar, entre em contato comigo, que eu faço a intermediação com o diretor.

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

TEATRO - A CANTORA CARECA



Em 2009, eu fiz mais uma incursão pelo teatro. A segunda de minha breve carreira
teatral, e a primeira como ator. Em A CANTORA CARECA E MAIS ALGUMAS ABSURDAS INSERSÕES, produção do NAC do SESI Mauá, dirigido por Priscilla Altran.
A princípio, fiquei apreensivo por ser minha estreia, mas depois que subi ao palco, foi uma experiência maravilhosa, que espero poder repetir algum dia.



A peça foi exibida 3 vezes no Sesi de Mauá, e em outras unidades do Sesi, em Piracicaba, Santos e Birigui.



Pra quem não conhece o texto, ele foi escrito por Eugene Ionesco, é do gênero "Teatro do Absurdo", onde as piadas não tem nexo.
No enredo, dois casais se encontram em uma casa, mas aparentemente, eles nãos e conhece, e ficam conversando sobre banalidades.



O meu personagem, é um Capitão dos Bombeiros, que aparece para perguntar se algum deles sabe de alguma ocorrência de incêndio pelas redondezas. E, ao ficar, acaba seduzindo as mulheres do recinto.hehehehe



Abaixo, trechos de duas cenas que apareço.




domingo, 1 de julho de 2012

CINE MAIS CULTURA



Em 2009, eu participei da Oficina de Cineclubismo do Cine Mais Cultura.
A minha participação foi devido ao fato de o CC PILAR ter sido contemplado no edital do Mais Cultura, conjuntamente com a Associação Amigos de Bairro do Jd Canadá. O projeto durou os 2 anos previstos, e acabado recentemente.
Mas o aprendizado fica, assim como o CC PILAR, que irá buscar outro local pras suas atividaes.

sábado, 30 de junho de 2012

ALFACE




Roteiro que escrevi com base em uma sugestão do Jorge de Barros, grande amigo, e integrante do Cineclube Pilar.
Alguns amigos não entenderam que este curta é apenas uma "gag", mas outros que viram riram da proposta. Veja o curta, e o seu roteiro logo abaixo.








SEQ 01 – EXT – PORTA DA CASA – DIA

RAPAZ de costas, toca a campainha. A GAROTA abre a porta, e sorri pra ele.

GAROTA:
Oooooiii!

RAPAZ:
Olá! Você está pronta?

O rosto da GAROTA, espantada, e com nojo.

O rosto do RAPAZ sorrindo pra ela.

Os dentes do RAPAZ, com um pedacinho de alface entre os dentes.

GAROTA, com cara de nojo, e meio sem graça, fala pra ele sobre a alface, mostrando como exemplo em sua própria boca.

GAROTA:
Hã... Sabe...Tem um pedacinho de verdura nos seus dentes...

RAPAZ fica meio envergonhado.

RAPAZ:
Ah, é?

RAPAZ começa a cutucar a boca com as unhas, coloca os dedos na boca, retirando uma folha enorme e inteira de alface da boca. Ele joga a folha fora, e se vira pra namorada.

RAPAZ:
Vamos?

GAROTA sorri, e pega no braço do RAPAZ. Os dois saem, sorrindo.

THE FIM - 25 de abril de 09

Abaixo, as fotos de bastidores:

sábado, 9 de junho de 2012

DIÁRIOS DE BICILETA





SEQ 1 – int – quarto - amanhecendo

MENINO de 12 anos, emburrado, coloca peças de roupa em uma mochila. Seu IRMÃO mais velho dorme na cama ao lado. MENINO termina de encher a mochila, fecha e a coloca nas costas. Ele olha para o IRMÃO, na cama.

Insert 1 – int – quarto - dia

IRMÃO segura o MENINO pelo pescoço com uma chave de braço.


IRMÃO:
Olha o que eu faço com caçula pentelho! Olha!


IRMÃO dá uns cascudos na cabeça do MENINO com a outra mão.


Seq 1 – int – quarto - amanhecendo

MENINO sai do quarto. Ele caminha na direção da porta


Seq 2 – int – corredor - amanhecendo

MENINO passa em frente o quarto da MÃE. Olha pela porta entreaberta, vê a MÃE dormindo.

Insert 2 – int – sala - dia

MÃE segura o menino pela orelha.


MÃE:
Eu te ajeito nem que seja na porrada!


Seq 2 – int – corredor - amanhecendo

Menino baixa a cabeça e continua andando pelo corredor,indo até a porta


Seq 3 – ext - frente da casa - amanhecendo.

MENINO tira sua bicicleta pra fora da casa. Empurra ela até a rua. Monta e sai pedalando.


Seq 4 – ext – ruas - dia

Vários takes do MENINO andando pelas ruas, em vários lugares da cidade, em várias horas do dia. Em alguns takes, ele pedala, em outros, ele empurra a bicicleta.


Seq 5 – ext – rua - dia

MENINO empurra a bicicleta, devagar, por uma rua deserta. Enxuga a testa. Passa a mão na barriga. Olha pra cima. Encosta a bicicleta em um poste, senta na calçada, e abre a mochila. Procura por algo, que não encontra.


MENINO:
Merda! Esqueci de trazer comida...


MENINO olha pro céu, olha pra rua, olha pra direção pra onde estava indo. Olha para o caminho por onde veio. Olha para a bicicleta.


Seq 6 – int – cozinha - dia

MÃE está tirando os pratos da mesa. MENINO aparece na porta. MÃE olha pra ele, colocando os pratos na pia.


MÃE:
Menino, onde é que você estava? Quase perdeu o almoço... Vai lavar as mãos, enquanto eu faço o seu prato.


MENINO lava as mãos na pia, enquanto a MÃE faz o prato dele. MÃE coloca o prato na mesa. MENINO se senta, e começa a comer.





THE FIM




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quinta-feira, 31 de maio de 2012

OS URSOS DE PELÚCIA DORMEM DE NOITE

Mais um roteiro da série "roteiros que escrevi, e nunca filmei, se você quiser filmar, é só entrar em contato pra negociarmos". Este aqui nunca foi feito por falta de conhecimento em "chroma key". Se você produz curtas e sabe como utilizar esse recurso, vamos produzir?





OS URSOS DE PELÚCIA DORMEM DE NOITE
Roteiro de Lexy Soares


SEQ 1 – INT – QUARTO – NOITE

Quarto silencioso. MENINA está dormindo. O URSO começa a mover a cabeça, olhando para a MENINA. Ele se levanta, e olha na direção dela. URSO se levanta, e vai até a MENINA, para se certificar que ela está dormindo. URSO desce da cama.


SEQ 2 – INT – COZINHA – NOITE

URSO vai até a pia da cozinha. Abre uma das gavetas. Pega uma faca. Fica admirando a faca, na altura dos olhos.


SEQ 3 – INT – QUARTO – NOITE

URSO sobe na cama. Vai a te a MENINA. Puxa a coberta, descobrindo o corpo dela. Ele ergue a faca, e prepara-se pra apunhala-la no coração. Quando ele desce a faca, CORTE para a MENINA acordando, violentamente, assustada. Ela olha ao redor, enquanto sua respiração se acalma. Ela olha para o URSO, ao seu lado. Sorri ao perceber que foi apenas um sonho. Ela volta a dormir, se cobre, e vira para o lado. Depois de um momento de pausa, o URSO vira novamente a cabeça na direção da MENINA. Ele pega uma faca debaixo do travesseiro, e vai até a MENINA.


THE FIM
13 de agosto de 2008.

sábado, 26 de maio de 2012

MINHA INCURSÃO PELO TEATRO - "4:48"

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Em 2008, eu comecei no teatro, através do Sesi Mauá. Minha primeira participação foi na peça "4:48", baseado em um texto da inglesa Sarah Kane. Nesta montagem, que teve apresentações em unidades do Sesi em 5 cidades, eu fui o iluminador.
A direção da peça é de Priscilla Altran, orientadora do Sesi Mauá na época.




Abaixo, um exemplo prático da iluminação do espetáculo:










Com essa peça, eu ganhei menção honrosa como melhor iluminação, durante a entrega do Mapa Cultural Paulista, modalidade municipal.





A peça está disponibilzada no meu canal do youtube, veja pelos links abaixo.
Está dividida em 3 partes, que totalizam 50 minutos da apresentação.








Depois dessa, eu participei de mais duas peças, mas como ator. Isso fica pra outra postagem...


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terça-feira, 22 de maio de 2012

O COLECIONADOR DE CRUCIFIXOS

Roteiro encomendado por Alexandre Ribeiro, o mesmo de O INIMIGO.
Este foi feito da mesma forma: ele escreveu um conto, e me pediu pra roteirizar. Só que este ainda não foi produzido.




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SEQ 01 – INT – QUARTO – NOITE

TOMAS está no quarto, limpando um crucifixo nas mãos. Ele termina de limpar, o admira na mão por um breve tempo, e depois o coloca na parede. Câmera abre, mostrando vários outros crucifixos ao redor de sua parede. TOMAS fica olhando para sua coleção, sorrindo. Ele pára o olhar em um específico.

AVÓ (VOZ OFF):
Quando este bolo estiver pronto, vai ficar uma delícia.


INSERT 1 – INT – COZINHA – DIA

TOMAS criança e AVÓ estão na cozinha. Ela preparando um bolo, ele olhando pra ela, feliz. Ela olha pra ele, e sorri. Enquanto AVÓ fica mexendo a massa do bolo, TOMAS fica olhando pro crucifixo pendurado no pescoço dela.


INSERT 2 – EXT – CEMITÉRIO – DIA

As pessoas estão velando a AVÓ. O AVÔ de TOMAS chora muito, com o crucifixo apertado na mão. TOMAS observa curioso. Seu AVÔ desvia o olhar do caixão, e olha pra TOMAS. Se aproxima do neto, lhe entregando o crucifixo.

AVÔ:
Tome, Tomas. Guarde com carinho, era da Vó Teresa que nós tanto amávamos.


SEQ 02 – INT – QUARTO – NOITE

TOMAS termina de admirar a cruz, e está pra pegar outra, quando toca o celular. Ele olha no visor, que mostra o nome GUSTAVO. Ele atende.

TOMAS:
Fala, Gustavo!

GUSTAVO (com voz chorosa):
Oi, Tomas... Eu estava pensando... Sabe, hoje seria meu aniversário de namoro com a Marcela... Você poderia me acompanhar até o cemitério...? Quero visitar o túmulo dela...

TOMAS:
Claro, cara. Amigos são pra essas coisas. Pode contar comigo. A que horas você quer estar lá?


SEQ 03 – EXT – CEMITÉRIO – DIA

TOMAS e GUSTAVO entram no cemitério, e vão até o túmulo da namorada de GUSTAVO. Os dois ficam parados por um tempo, olhando para o túmulo. GUSTAVO tenta se manter firme, mas acaba não segurando, e começa a chorar. TOMAS fica parado, em silêncio, só olhando. GUSTAVO se abaixa, coloca flores no túmulo, e em seguida, tira do bolso uma foto dele com a namorada. Ele coloca a foto sobre o túmulo. E fica observando, chorando. TOMAS, constrangido se afasta, um pouco triste, e caminha entre os outros túmulos ao redor. Seu olhar pára em frente a um crucifixo em um túmulo. Ele se posiciona pra observar melhor. Ele fica como que paralisado, olhando pra cruz, e alisando-a. Corte para GUSTAVO, que continua agachado em frete ao túmulo da namorada, como se rezasse. TOMAS se aproxima, arrumando a blusa (ele está escondendo o crucifixo). Ele volta pra perto de GUSTAVO, com as mãos nos bolsos. Ele se aproxima de GUSTAVO, se abaixa, coloca um braço sobre o ombro do amigo, que se levanta.

TOMAS:
Vamos indo?

GUSTAVO não responde, mas balança a cabeça, afirmando, enquanto se levanta. Os dois saem do cemitério.


SEQ 04 – EXT – EXTERIOR DO CEMITÉRIO – DIA

TOMAS e GUSTAVO estão saindo do cemitério. Gustavo não chora mais. TOMAS pergunta, inocentemente.

TOMAS:
Sabe, Gustavo. Esse cemitério é bem bonito. E tem umas cruzes bem lindas em alguns túmulos. Eu vi um crucifixo mais ou menos deste tamanho...

TOMAS faz o tamanho com as mãos.

TOMAS:
...que me deu até vontade de pegar pra mim. Será que alguém se importaria se eu pegasse?

GUSTAVO olha pra TOMAS, reprovador.

GUSTAVO:
Nem por brincadeira você deve pensar uma coisa dessas. Os objetos dos cemitérios são sagrados! Eles são presentes dos familiares e amigos dos mortos. Não é uma boa idéia roubá-lo, porque você vai estar roubando algo dos mortos.

TOMAS:
Calma, cara. Não to falando sério. Eu nuca roubei cruz nenhuma. Todas as da minha coleção foram ganhadas.

TOMAS e Gustavo seguem caminhando pra longe da câmera.


SEQ 05 – INT – QUARTO – NOITE

TOMAS entra no quarto. Ele abre sua blusa, e tira o crucifixo roubado de dentro de um bolso. Ele se senta na cama, com a cruz na mão, e fica admirando por um tempo. Em seguida, ele pega uma lenço, e começa a limpa-lo. Ele sorri, e o coloca na parede, num lugar especial entre sua coleção. Depois de terminar de limpar a coleção, ele se prepara pra dormir. Um VULTO passa pela janela.TOMAS se assusta, e vai até a janela pra ver o que era. Não tem nada lá. Ele volta pra cama, se deita e dorme.


SEQ 06 - INT – QUARTO – NOITE

TOMAS está deitado na cama, se virando de uma lado pro outro, sem conseguir dormir. Enquanto se vira, ele eventualmente olha pra cruz na parede. Flashes na cruz, indicando que TOMAS está pegando no sono.

SEQ 07 – INT – QUARTO – DIA (PESADELO)

TOMAS está em um lugar sozinho, na sua frente, uma pessoa que parece uma mulher está amarrada em uma cadeira, se debatendo de um lado para outro. Quando TOMAS se aproxima um pouco dela, ela vira o rosto na direção dele. Ela pára, olha para TOMAS e grita:

MULHER:
É minha! Me pertence ! Devolva-me!

TOMAS, assustado, dá um grito.



SEQ 08 – INT – QUARTO – NOITE

TOMAS acorda, gritando. Ele olha pra janela, e vê uma chuva forte caindo. Quando um relâmpago ilumina um pouco o quarto, ele vê que seu crucifixo roubado está de ponta cabeça na parede. Ele se levanta, e vai arruma-lo. Depois volta pra cama, e fica uns momentos observando o crucifixo. PD no relógio, mostrando as horas.


SEQ 09 – INT – QUARTO – DIA

PD no relógio, mostrando as horas. TOMAS acorda, olha as horas, e se levanta correndo.

TOMAS:
Ô, bosta!


SEQ 10 – INT – TREM – DIA

TOMAS corre pela bilheteria da estação, passa pela catraca, apressado, quase atropelando as pessoas pelo caminho. Ele entra correndo no trem, quando as portas estão quase pra se fechar. Ele se senta, e fica mexendo as pernas, impaciente, olha pro relógio a todo o momento. Ele observa um passageiro, que tem um crucifixo bem parecido com o que ele roubou no cemitério pendurado no pescoço.


SEQ 11 – INT – TRABALHO – DIA

PD em um relógio na firma, quando TOMAS chega. Ele entra, e vai direto pro computador, fazer seus relatórios. Mas assim que lê se senta, outro funcionário se aproxima dele.

FUNCIONÁRIO:
Tomas, o Senhor Mendes quer te ver na sala dele.

TOMAS:
Ô droga...


SEQ 12 – INT – SALA DO SR MENDES – DIA

TOMAS está sentado, em frente ao SR MENDES. O SR.MENDES olha severo pra TOMAS. Ele usa um crucifixo no pescoço. TOMAS mexe nas mãos, tentando parecer calmo. O SR. MENDES apresenta a carta de demissão pra TOMAS.

SEQ 13 – INT – TRABALHO – DIA

TOMAS sai da sala do SR.MENDES, vai até sua mesa, pega suas coisas, depois vai até o armário, pega o resto de seus pertences, e vai embora. Os outros funcionários o olham ir, mas ninguém fala nada.


SEQ 14 – INT – QUARTO – NOITE

TOMAS está deitado na cama, olhando pro crucifixo roubado, quando ADRIANA, sua irmã, entra no quarto.


ADRIANA:
Escuta... O que você estava fazendo em casa hoje à tarde?

TOMAS:
À tarde? Eu nem estava em casa à tarde. Só cheguei depois da 7 horas...

ADRIANA:
Eu ouvi uns barulhos estranhos, parecia um gato, ou sei lá o que arranhando a janela. Você precisa ver isso. Vai que tem algum rato no seu quarto.
TOMAS se vira pro lado, tentando ignorar ela.

TOMAS:
Ta, amanhã, eu vejo isso.


ADRIANA começa a sair do quarto, fechando a porta. Ela pára um momento, e volta para TOMAS.



ADRIANA:
Ah, sim. Uma moça te ligou hoje. Ela não quis deixar recado, mas disse que precisa falar com você, e que é importante.


TOMAS se vira de volta pra irmã.

TOMAS:
Moça? Quem era?

ADRIANA;
Sei lá. Ela não disse o nome. Só falou que precisa muito falar com você. Antes de eu perguntar quem era, desligou.


ADRIANA sai do quarto. TOMAS fica pensando sozinho. Ele olha pro crucifixo roubado.

SEQ 15 – INT – BAR – DIA

TOMAS está jogando bilhar com os amigos. TOMAS repara que tem uma garota olhando pra ele. A cada tacada, ele pára pra olhar pra ela. Ela está sozinha, mas perto da mesa de uns amigos dele. TOMAS vai até os amigos, cumprimenta-os, depois se aproxima dela.

TOMAS:
Você eu não conheço, mas muito prazer.

HELENA:
Olá! Meu nome é Helena.


Os dois ficam conversando por um tempo.


HELENA
Eu moro num lugar muito longe daqui. Só estou aqui a passeio, na casa de meus avós.

TOMAS
É Mesmo? E você gosta de bilhar?

HELENA
Gosto, sim.

TOMAS
Então, vamos jogar? Que tal uma parceria?

HELENA
Pode ser interessante.


Os dois se levantam.


TOMAS:
E aí, Lexy, seu ruinzão! Vamos jogar em dupla? Nós dois aqui contra vocês?

LEXY:
OK. Vou te mostrar quem é o ruinzão aqui.


Eles começam a jogar. TOMAS e HELENA se entrosam durante o jogo, ficando bem amigos. Eles ganham a partida. Ele comemora abraçando ela.
SEQ 16 – EXT – RUA – NOITE

TOMAS e HELENA estão andando, enquanto conversam. Eles param próximo a um “escadão”, e sentam-se pra conversar. Tomas fica Olhando-a no rosto firmemente.

TOMAS:
Sabe,Você tem olhos lindos. Eles parecem ter uma certa tristeza, mas que te deixa muito sexy.


HELENA vira o rosto, escondendo o rosto com os cabelos.

TOMAS:
Desculpe. Falei algo errado?

HELENA:
Não, é que... Eu não costumo conhecer muitas pessoas.

TOMAS:
Sei. Você é do tipo solitária. Eu também sou assim.

HELENA:
Mas você tem amigos.

TOMAS:
Poucos... Um ou outro cara... Uma amiga de um amigo... Mas no fundo, eu me sinto meio à parte deles, às vezes. Sabe como é, né? Mesmo no meio de uma multidão, nos sentimos sozinhos.

HELENA:
Você não sabe o que a solidão verdadeira. Um estado de total esquecimento, um...


HELENA pára bruscamente de falar, baixando o olhar. TOMAS segura delicadamente seu queixo, aproximando seu rosto do dela pra beija-la, e ela corresponde. Então, ele acaricia seu rosto e toca seus lábios, beijando-a. Depois do beijo, ela se afasta dele.

HELENA:
Eu preciso ir embora, pois meus avós poderiam estar preocupados, e ela estava na casa deles devidos aos estudos.

TOMAS:
Eu te levo embora, se você quiser;

HELENA:
Não, obrigada. Meus avós podem não gostar. Eu estou aqui por causa dos estudos, não pra namorar.

TOMAS:
Tudo bem, mas eu posso te acompanhar até lá, pra você não andar sozinha pelas ruas.

HELENA:
Tudo bem. Eles moram aqui perto. Posso ir sozinha. Mas agradeço a oferta.

TOMAS:
Certo. Mas poso te ligar? Me dá seu número.

O celular de TOMAS toca. Ele atende, o visor mostra que é de sua casa. Quando ele se vira, HELENA já sumiu. Ele olha ao redor, enquanto o celular toca. Ele então, atende, procurando ao redor por HELENA. No telefone, ADRIANA, apavorada.

ADRIANA:
Tomas! Tomas, cadê você? Por que você não está em casa? Eu to te procurando, Tomas...

TOMAS:
Adriana? O que aconteceu? Tem alguma coisa errada por aí? Adriana?

ADRIANA:
Tomas? É você?

A ligação cai. Tomas sai correndo.


SEQ 17 – INT – SALA DE CASA – NOITE

TOMAS entra em casa com pressa e assustado. Ele chama pela irmã. Ele olha ao redor da sala. A luz está apagada, a sala só está iluminada pela luz da tela da TV, que estava ligada, ADRIANA estava em frente da TV, com os olhos fixados na imagem, e com o crucifixo roubado nas mãos. TOMAS se aproxima dela, a chama, mas ela continua firma olhando pra TV. Ele olha pra tela da T.V, e se espanta com as imagens que vê. Ele desliga a TV, e acende as luzes, e volta pra perto da irmã. Ele toma a cruz das mãos dela, e a chama novamente. ADRIANA olha pra ele com se tivesse acabado de acordar.


ADRIANA:
Tomas...Que bom que você está aqui.

Ela o abraça.

TOMAS:
O que foi que aconteceu?

ADRIANA:
Oh, Tomas! Foi horrível! Horrível demais!

TOMAS:
Me conta. Se acalma, e me conta o que aconteceu.

ADRIANA:
Eu... Eu não entendo...


INSERT - SONHO DA IRMÃ

ADRIANA conta o que aconteceu. Enquanto as imagens são mostradas, sua voz narra os fatos em off.

ADRIANA (em off):
Eu me deitei para descansar.


ADRIANA abre os olhos.

ADRIANA (em off):
No meio da noite ouvi alguém chamar pelo meu nome.


Ela se levanta da cama, e caminha pelo corredor.


ADRIANA (em off):
Então vi meu corpo sair da cama daí segui até onde estava a voz, temendo ver alguém. Tudo estava escuro, mesmo assim dava pra ver tudo.


ADRIANA vai até a sala.

ADRIANA (em off):
A voz me chamava até a sala, fui até lá com muito medo.


ADRIANA entra na sala, que está escura. Ela olha ao redor, procurando.

ADRIANA (em off):
Quando cheguei até a sala, fiquei parada em pé, estava com muito medo, não conseguia ver nada e ninguém. Então outra vez essa voz sinistra me chamou.


ADRIANA mexe os lábios, falando, mas não tem som, a voz dela vem da narração em off.

ADRIANA (em off):
Então tentei conversar: “Quem é você? O que quer?”.


ADRIANA fica ouvindo a VOZ. A VOZ está respondendo, mas é a voz dela em off que é ouvida, recitando o que a voz falou no pesadelo.

ADRIANA (em off):
“Não importa quem sou, importa o que vim fazer. E vim até aqui pra te avisar que tem gente do outro lado querendo falar com você. Ouça-os!”.


ADRIANA começa a andar pra trás, apavorada.

ADRIANA (em off):
Fiquei apavorada, anestesiada de medo.

ADRIANA começa a falar para as paredes.
ADRIANA (em off):
“Estou com medo! Por favor, não me façam nada! Tenho medo!”. Mas a voz continuou a responder: “Não tenhas medo. Ouça e ai sim saberá o que fazer”.

ADRIANA anda até o meio da sala, quando a TV se liga, e aparecem imagens estranhas.

ADRIANA (em off):
Então andei até o meio da sala e tentei sentir a presença de alguém, quando a T.V ligou sozinha e apareceram imagens estranhas e vozes gritando e chorando dentro da TV.


As imagens na TV tomam conta da tela. Nessa hora, pode-se ouvir as vozes vindo direto dessas imagens, ao invés da narração em off.

VOZES NA TV:
Nos ajude! Nos ajude, por favor! Devolva o que me pertence! Devolva o que nos pertence! Devolva o que não lhe pertence! Quero sangue! Queremos sangue! Sangue! Devolva! Está nessa casa, eu posso sentir! Podemos sentir! Devolva! Não é seu! Queremos de volta!
ADRIANA (em off):
Então perguntei: “Mas o que vocês querem? Tenho medo, não vou agüentar isso por muito tempo!”. E a voz me repreendeu: “Ouça! Depois veremos o que é!”.


ADRIANA então, olha pra TV, e fala.

ADRIANA (em off);
Não sei o que querem, me dê um sinal, uma pista para eu tentar fazer o que querem.


As imagens na TV se calam, e todas as portas e gavetas do móvel que sustentava a TV se abrem, em seguida a TV desliga sozinha.

ADRIANA (em off):
Então tive a impressão de acordar de um sonho no meio da sala, então abri a primeira gaveta e tomei um choque.


ADRIANA vai até a gaveta. Um CLOSE nela, se assustando ao ver o crucifixo roubado lá dentro. PD no crucifixo, na visão dela. A TV liga sozinha de novo e começam as vozes de novo.

ADRIANA (em off):
Então você chegou.

VOLTA PRA CENA

ADRIANA aperta o corpo do irmão, chorando.

ADRIANA:
O que significa tudo isso, Tomas? O quê? Eu tô com muito medo.


TOMAS Abraça forte a irmã. Mas ela se solta, e olha firme pra ele, entendendo o que aconteceu.

ADRIANA:
É o crucifixo, Tomas. É esta cruz. Você precisa devolver pro dono. É isso. Se você não devolver...(voz chorosa) Oh, Tomas...

Ela começa a chorar novamente, e o abraça. TOMAS segura ela, enquanto, com a mão livre, segura a cruz. Olha pra cruz na mão, e a aperta.


SEQ 18 – INT – QUARTO DE ADRIANA – NOITE

TOMAS observa ADRIANA dormindo, depois, ele sai do quarto dela, e vai até o seu quarto.

SEQ 19 – INT – QUARTO DE TOMAS – NOITE

Ele se deita, olhando pro crucifixo roubado na parede. Ele dorme. Ele começa a ter pesadelos.

INSERT – PESADELO DE TOMAS

Primeiro, a TV se liga, mostrando as imagens estranhas. AS pessoas pedindo sangue. Depois aparece HELENA, no quarto. Pálida, com um olhar triste, sobre uma luz vermelha, quase não dá pra vê-la, pois ela está mal iluminada. Ela vai falando. TOMAS olha na direção dela. Ele se levanta, e vai na direção dela, em passos lentos.

HELENA (em off):
A televisão fala, cheia de olhos. Os espíritos da visão. E agora, estou com tanto medo. Eu estou vendo coisas. Eu estou ouvindo coisas. Eu não sei quem sou.


O rosto dela vai se iluminando aos poucos, enquanto ele se aproxima. Ela levanta a cabeça, tossindo. De sua boca sai sangue. Ela olha pra TOMAS.

HELENA:
Você me ama?


TOMAS balança a cabeça, afirmando.

HELENA:
Então, me dê um nome. Eu preciso de um nome, pra me tornar amada. Sem nome, eu serei um vazio eterno. Eu serei o nada. Entropia. Não deixe isso me matar. Isso vai me matar e me esmagar. E me mandar para o inferno! Me dê um nome!

TOMAS:
Helena! Helena! Seu nome é Helena! Eu te amo, Helena!

HELENA:
Você vai ter sempre um pedaço de mim, porque você teve minha vida em suas mãos!


Então HELENA se levanta e corre, TOMAS vai atrás. Eles correm por uma espécie de galpão, onde, no meio da sala, tem uma criado mudo, com a gaveta aberta. TOMAS se aproxima, olha dentro da gaveta. O crucifixo roubado está lá dentro. Nessa hora, uma voz fala em off.

VOZ:
“Me devolva!”.


TOMAS olha para os lados, mas não vê ninguém. Ele se aproxima mais da gaveta, e quando vai pegar o crucifixo, uma mão sai de lá de dentro e agarra a mão de TOMAS, que grita de pavor.


SEQ 20 – INT – QUARTO – DIA

TOMAS acorda, gritando, e suando. Ele se levanta, assustado, e olha ao redor, com a respiração apressada. O celular está tocando. Normalizando a respiração, ele pega o celular, e olha no visor, onde está marcado o nome HELENA. Ele atende.

TOMAS:
Alô?

HELENA:
Alô! Surpreso em receber minha ligação?

TOMAS:
Hã... Sim, estou. Mas é uma surpresa bem agradável.


TOMAS se deita na cama, calmo. Ele sorri.

TOMAS:
Mas estou surpreso, sim.

HELENA:
Eu peguei seu celular quando nos conhecemos, e anotei seu número. Você nem viu.

TOMAS:
Você é bem rápida, hein?
HELENA apenas ri.

HELENA:
Sabe, estou com saudades de você. Quero muito te ver. Podemos nos ver hoje, tipo, às 3 horas da tarde?

TOMAS:
Claro. Onde você gostaria de ir?

HELENA:
Me pega em casa, que depois a gente decide. Anote meu endereço.


TOMAS se levanta, e pega uma caneta e papel na cômoda.

TOMAS:
Pode falar.


SEQ 21 – INT – COZINHA – DIA

TOMAS está lavando o prato, quando ADRIANA entra na cozinha.

TOMAS:
Oi. Está melhor?

ADRIANA:
Sim. Agora que você deu um fim naquele crucifixo, me sinto bem melhor.

TOMAS:
Como assim? Eu nem mexi nele.



ADRIANA:
Eu acabei de entrar no seu quarto, ele não está lá.

TOMAS sai correndo, e vai pro quarto.


SEQ 22 – INT – QUARTO – DIA

TOMAS entra correndo no quarto, e olha na pra parede, pra sua coleção. O crucifixo roubado não está mais lá. Ele pára com a mão na cabeça, olhando ao redor do quarto.
TOMAS:
Ô, Caralho!


TOMAS olha pro relógio, e vê que são 2 horas.

TOMAS:
Ih, porra!


Ele pega uma blusa, e sai correndo do quarto.


SEQ 23 – INT – ÔNIBUS – DIA

TOMAS fala com o cobrador do ônibus pra avisar quando chegar perto do endereço de HELENA.


SEQ 24 – EXT – RUA – DIA

TOMAS desce do ônibus, olhando as placas das ruas, e com o papel com o endereço na mão. Ele acha a placa com o nome da rua, e o número indicado no papel. É o cemitério onde ele roubou o crucifixo. TOMAS entra.


SEQ 25 – INT – CEMITÉRIO – DIA

TOMAS caminha pelos túmulos. Ele vai até o túmulo da namorada de GUSTAVO. Ele continua andando, até passar pelo túmulo onde havia roubado o crucifixo, e se espanta. No túmulo, o crucifixo roubado estava de volta. Ele se aproxima, pra ver o crucifixo mais de perto. Ele passa a mão na cruz, espantado.

TOMAS:
Não pode ser...


TOMAS olha pra foto com o nome da pessoa enterrada, e se assusta. Ele se afasta, apavorado, depois se aproxima novamente. A foto e o nome são de HELENA. PD na placa com a foto e nome da falecida, onde se lê: HELENA FERNANDA TIOSSI 20-02-1980 26-05-2005. TOMAS baixa o olhar. Sussurra:

TOMAS (sussurrando):
Meus pêsames.


PD na placa no túmulo.


SEQ 26 – INT – CEMITÉRIO – DIA

TOMAS fica sentado no túmulo de HELENA, olhando o pôr do Sol.


Escurecimento.
Créditos finais.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

VITÓRIA

Em 2008, para participar de um concurso de curtas cujo tema era "Como você vê o amanhã", eu e meus amigos do Cineclube Pilar nos juntamos com a proposta de filmar 3 curtas. Filmamos apenas 2, e não conseguimos editar em tempo de participar.
Um deles, é o "Epílogo", que eu dirigi, e cujo link está em outra postagem.
Cri Oliveira dirigiu este documentário, o qual eu atuei como operador de câmera.

A KOMBI QUE PEGA CRIANÇAS

O roteiro abaixo é inédito.
Se você é um produtor de curtas, e tiver gostado, deixe um comentário que nós podemos conversar sobre filmá-lo.






SEQ 1 – INT / EXT - KOMBI NA RUA - DIA

Em um terreno baldio, meninos jogam bola. No carro, MOTORISTA, ESPERTO, BURRÃO e PALHAÇO conversam, observando as crianças.


PALHAÇO:
O foda do mercado de trabalho, é que as empresas não sabem o que querem. Eles não querem pessoas, querem currículos. Não importa a capacidade da pessoa, o que importa é um currículo cheio de qualificações, mesmo que seja inútil praquela função.

MOTORISTA:
E o pior é aquele tipo de emprego que até um macaco consegue fazer, mas mesmo assim pedem experiência... Eu fico puto da vida.

PALHAÇO:
É por isso que as pessoas estão buscando formas alternativas de se manter. Eu acredito que a única forma de se manter no mercado é prestando serviços de forma autônoma. Tô te falando.


As crianças terminam de brincar, se despedem, e cada uma vai pra um lado. ESPERTO aponta pro menino que carrega a bola.


ESPERTO:
Olha, lá! Aquele menino vai ser nosso primeiro serviço!


Eles seguem o menino com o carro, bem devagar, e começam a se preparar pra amarrá-lo. O menino anda pela calçada, sem perceber que está sendo seguido. BURRÂO se prepara pra abrir a porta lateral. Ele pega na maçaneta, enquanto o carro vai chegando cada vez mais perto do menino.O carro fica ao lado do menino.


ESPERTO:
Agora!


BURRÃO puxa a maçaneta, mas a porta não abre.


BURRÃO:
Ô bosta!

ESPERTO:
O que foi?

BURRÂO:
Essa merda emperrou!

ESPERTO:
Ô caralho!

PALHAÇO:
Puxa a maçaneta pra dentro e pra baixo, e puxe a porta pra trás com um tranco.

BURRÂO:
Tô tentando!

MOTORISTA:
Vai logo, o menino tá indo embora.

ESPERTO:
Vai logo, porra!


BURRÂO puxa a porta, que abre.


BURRÂO:
Pronto, consegui!


BURRÂO desce da Kombi, mas o menino sumiu. Ele olha pros lados, e nada. O PALHAÇO coloca a cara pra fora do carro. Ele vê o menino, e aponta pra ele.


PALHAÇO:
Olha ele ali!


O menino está entrando numa casa.


ESPERTO:
Mas que bosta!


MOTORISTA:
Entra logo, porra!Vai ficar aí, fazendo o quê?


BURRÂO entra novamente na Kombi, e fecha a porta.


BURRÂO:
Que merda!

ESPERTO:
Que merda você! Nunca vi ninguém mais burro!

BURRÂO:
O cacete! É essa porta desse carro velho, que não abre!

MOTORISTA:
Vai se foder, que a porta não tem problema nenhum.Você que é burro demais, e não consegue abrir essa porra!


PALHAÇO:
Vamos procurar outra criança em outro lugar.(pra BURRÂO), mas vê se não dá mancada de denovo!

Eles vão embora.


SEQ 2 – EXT / INT - KOMBI, RUA - DIA

Um menino está andando na rua, sozinho. A Kombi aparece atrás dele, no fundo da rua.


MOTORISTA:
Olha lá outro menino!

ESPERTO:
Vai lá, burrão! Mas vê se não dá mancada dessa vez, hein?

BURRÂO:
(Emburrado)
Humpf!


BURRÂO segura a maçaneta da porta. A Kombi se aproxima do menino, se posicionando ao lado dele.

ESPERTO:
Agora!


BURRÂO abre a porta de uma vez, e pula pra calçada. Ele dá um grito, caindo no chão.


PALHAÇO:
O que aconteceu?

ESPERTO:
(olhando pra fora)
Puta que pariu!

MOTORISTA:
Xi, o menino tá fugindo.


O PALHAÇO e o ESPERTO descem do carro, e se espantam com o que vêem no chão: BURRÂO, caído em um bueiro aberto.




SEQ 3 - INT / EXT - KOMBI, RUA - DIA

Eles discutem sobre o que acaba de acontecer. BURRÂO sente dores.

BURRÂO:
Aaaai.

ESPERTO:
Porra, cara! Você tem que ser mais esperto! Como pôde não olhar pro chão?

BURRÂO:
Foda-se! Eu não vou mais pegar criança nenhuma! Se quiser, vai você!

ESPERTO:
E vou mesmo! Você vai ver como se faz esse serviço!

MOTORISTA:
Olha lá um menino de rua. Esse nem deve ter família pra sentir falta.


Os outros olham. Um menino magrelo, encostado num muro, olhando pra um terreno baldio. Dentro do carro, eles discutem.


PALHAÇO:
Então, quem vai agora?

ESPERTO:
Eu vou. Tenho um método infalível.


O ESPERTO abre o porta-luvas, e tira um pacote de bombons de dentro. Ele tira um bombom do pacote, coloca no bolso, e sai do carro.


ESPERTO:
Nenhuma criança resiste a um chocolate, vocês vão ver.


ESPERTO desce da Kombi, e vai até o menino.


ESPERTO:
Ei, menino!Quer um bombom?

MENINO
(estendendo a mão):
Quero, sim, tio.


O MENINO abre o bombom e começa a comer, o ESPERTO começa a fazer perguntas pra ele.


ESPERTO:
Você não quer ir comigo até o carro?Tem mais bombons lá dentro. Eu sou devoto de Cosme e Damião, é por isso que estou distribuindo doces, se...


O menino interrompe, cuspindo o bombom no chão.


MENINO:
Caráio! Esse bombom é de verdade! Pensei que você fosse um passador de bagulho! Que porra!

ESPERTO:
Hã?

MENINO:
Seu puto do caralho! Me enganô! Cuzão da porra, 'cê vai ver só!


O MENINO se vira pro terreno baldio, e grita pros seus amigos.


MENINO:
Pessoal! Esse cuzão aqui tá tentando me enganá! Vamo dá um cacete nele!



ESPERTO:
Hã?


Os outros estão na Kombi, quando o ESPERTO começa a correr na direção do carro. Atrás do ESPERTO, vem uma tropa de moleques de rua. O MOTORISTA liga o carro rápido, dando marcha a ré, enquanto.


MOTORISTA:
Puta que pariu! O que é isso?


ESPERTO entra no carro, sem fôlego.


ESPERTO:
Corre daqui logo, porra! Anda!


A Kombi vai embora, enquanto os moleques tentam alcançar o carro, e jogando pedras. Eles conseguem fugir dos moleques.


SEQ 4 – INT – KOMBI - DIA

Os AMIGOS estão discutindo no carro.


PALHAÇO:
Meu, tá foda conseguir pegar uma criancinha.

ESPERTO:
As crianças de hoje são muito perigosas. Caralho!

MOTORISTA:
'Cês é que são burros. Eu só tô aqui pra ser motorista, mas eu vou mostrar pra vocês como é que se pega uma criancinha. Eu sei o segredo.

ESPERTO:
(sarcástico)
É mesmo? E qual é, então, ô sabichão?


MOTORISTA:
Tem que pegar menina, que são mais delicadinha, fraquinha, essas coisas.É mais fácil. Olha uma ali, eu vou mostrar pra vocês.

BURRÂO:
Eu quero só ver.


O MOTORISTA pára a Kombi, desliga o motor.


MOTORISTA:
Vê só como se faz!


O MOTORISTA desce da Kombi, e vai até a menina. De dentro do carro, os outros observam. O MOTORISTA se aproxima da menina, se abaixa, ficando de cócoras, e começa a conversar com ela. Por cerca de 5 segundos. A menina dá um chute no saco dele.


ESPERTO PALHAÇO e BURRÃO:
(ao mesmo tempo)
UUUUGGHHH!


O MOTORISTA está caindo, a menina dá outro chute, e sai correndo. O MOTORISTA rola um pouco, com dor, depois se levanta, e cambaleando, vai até a Kombi, devagar. Ele entra.


MOTORISTA:
Todo mundo calado!


O MOTORISTA liga o carro, e eles vão embora, em silêncio.


SEQ 5 – INT/EXT - KOMBI, RUA - DIA

Eles estão rodando a procura de alguma criança.





BURRÂO:
Sabem, eu já estou com o saco cheio. Tamos quase o dia todo nesse trampo de merda, e até agora nenhuma criança!

MOTORISTA:
Pára de reclamar! Não foi você que levou um chute no saco!

PALHAÇO:
Agora, é a minha vez. Eu vou conseguir.Não tem criança que resista á um palhaço.

ESPERTO:
Só as que têm medo de palhaços...

PALHAÇO:
RÁ-RÁ! Eu sei como lidar com crianças.Vou pegar uma. Vocês vão ver. Vamos parar aqui, que eu vou conseguir. Tô sentindo que agora, vai dar certo.

MOTORISTA:
(parando o carro)
Espero que dê mesmo...


O PALHAÇO sai da Kombi, e vai até uma menina, que está andando de bicicleta. Enquanto eles conversam, a menina continua andando na sua bicicleta, dando voltas ao redor do PALHAÇO.


PALHAÇO:
Olá, menininha! Tudo bom?

MENINA:
Tudo!

PALHAÇO:
Que bicicleta bonita!

MENINA:
Foi meu pai que comprou!



PALHAÇO:
É mesmo? Eu também tenho uma bicicleta, quer ver?

MENINA:
Não.

PALHAÇO:
Não?

MENINA:
Não. Eu já tenho a minha.


O PALHAÇO fica um segundo pensando.


PALHAÇO:
Você quer vir comigo, ver eu fazer um bichinho com uma bexiga? A bexiga tá aqui atrás, vem comigo!

MENINA:
Não gosto de bexiga. Ela estoura. Não tem graça nenhuma.

PALHAÇO:
(irritado)
Ô, cacete!


A MENINA pára de pedalar, e olha espantada pro PALHAÇO.


MENINA:
Palhaço boca suja! Falou palavrão!

PALHAÇO:
(ainda mais irritado)
É falei! Agora, vem aqui comigo, que eu já estou de saco cheio.

MENINA:
Não vou, não, seu boca suja!

PALHAÇO:
Ah, vai, sim!

O PALHAÇO agarra a menina, que começa a gritar e espernear. O PALHAÇO a segura, e, com um pouco de dificuldade,a imobiliza.


MENINA:
AAAAAHHHHH! Mamãe! Mamãe! Socorro! Mamãe!

PALHAÇO:
(colocando a mão na boca dela)
Cala a boca! Cala a boca!


A MENINA fica quieta, para de espernear e se acalma. O PALHAÇO se sente seguro.

PALHAÇO:
Isso mesmo, fica quieta. Finalmente, você viu quem é que manda, não? Você vai vir comigo agora!

PAI DA MENLNA:
Não, ela não vai!

O PALHAÇO olha pra frente. Se assusta ao ver que está cercado por uma multidão de pessoas do bairro. Ele solta a MENINA, devagar.


PALHAÇO:
(soltando a menina)
Ôpa, pessoal. Não é o que vocês estão pensando, não. Eu só estava conversando com ela, só isso. Ela estava me chutando, eu só queria ensinar pra ela que isso não pode, sabe? HE, HE.


As pessoas o encaram, furiosas. A MENINA corre na direção do PAI, se agarrando às pernas dele.

PALHAÇO:
Então, agora que vocês estão aqui, tá tudo bem, né? Eu posso ir embora numa boa, não? Hein, pessoal?


As pessoas continuam encarando o PALHAÇO, furiosas.


SEQ 6 – INT/EXT - KOMBI - DIA

Na Kombi, MOTORISTA, BURRÃO e ESPERTO estão sentindo a demora do PALHAÇO.

ESPERTO:
Porra, cadê o cara?

BURRÂO:
(apontando)
Olha ele lá!


Dobrando a esquina, o PALHAÇO vem correndo na direção da Kombi. Atrás dele, vem a multidão de pessoas, enfurecidas, gritando. Algumas carregam paus. Na Kombi, o MOTORISTA liga o motor, apressado e desesperado.


ESPERTO:
Vai logo! Liga o carro! Anda!

MOTORISTA:
Eita Porra! Eita porra! Eita porra dez vezes!

BURRÂO:
Ele tá fudido! Ele tá fudido!

ESPERTO:
Cala a boca, e abre a porta.


O BURRÃO abre a porta, enquanto a Kombi começa a andar. O PALHAÇO se aproxima da porta, com a multidão atrás dele. O PALHAÇO corre ao lado da Kombi, tentando pular pra dentro pela porta lateral. O BURRÃO, dentro da Kombi, estica o braço pro PALHAÇO.


BURRÃO:
Pega a minha mão! Pega a minha mão!

O PALHAÇO estica o braço pra tentar pegar na mão do BURRÃO, mas a multidão consegue alcançá-lo, e o pegam. A Kombi o deixa pra trás. BURRÃO e ESPERTO olham pra trás e vêem as pessoas se amontoando em cima do PALHAÇO. A Kombi se afasta, deixando o PALHAÇO pra trás.


SEQ 7 - INT – KOMBI - ENTARDECER

A Kombi está bem longe do local onde PALHAÇO foi pego. O MOTORISTA pára a Kombi, e soca sua cabeça no volante, enquanto BURRÃO começa a chorar.


MOTORISTA:
(socando a cabeça)
Droga! Droga! Droga!

ESPERTO:
Calma cara! Se acalma!

BURRÃO:
Ele morreu! Eles mataram o cara! Que merda! Por quê isso foi acontecer?

ESPERTO:
Calma! Ele não morreu! A gente nem sabe o que aconteceu. Fica calmo.

BURRÃO:
Ele nunca fez mal pra ninguém.

ESPERTO:
Cala a boca, cacete!

BURRÃO:
O que a gente vai fazer agora?

ESPERTO (suspira):
Não sei, não sei.(pausa). Merda! Bosta! (pausa)

BURRÃO:
(enxugando as lágrimas)
Ele sempre foi um bom amigo.

ESPERTO:
Pois é! Ele sempre ajudou a gente quando precisávamos. Vários empregos, eu consegui por indicação dele...

BURRÃO:
Até este negócio, foi idéia dele, lembra?

ESPERTO:
Pois é, pois é...


Depois de um breve silêncio, o MOTORISTA levanta a cabeça do volante.


MOTORISTA:
Se ele não morreu, aquelas pessoas vão entregar ele pra polícia, e a polícia vai chegar na gente.


Os três se olham, assustados, em silêncio. BURRÃO começa a chorar denovo.


BURRÃO:
Tamos fudidos! Eu não quero ir preso!

ESPERTO:
Ninguém aqui vai ir preso! Pára de chorar, porra!

MOTORISTA:
Então, só tem um jeito de não irmos presos.


ESPERTO olha pro MOTORISTA, incrédulo. MOTORISTA acena positivamente com a cabeça. ESPERTO abaixa o olhar, depois olha pro BURRÃO. BURRÃO baixa a cabeça, fechando os olhos.


SEQ 8 - EXT - RUA - ENTARDECER

Eles descem do carro, se olham em silêncio, e cada um vai pra um lado, deixando a Kombi abandonada.



THE FIM
(25 de Dezembro 2007)
(Eu escrevi bebendo vinho, quando terminei, estava com dor de cabeça, mas rindo sozinho lendo)

FETOS LÍVIDOS


Mais um filme que participei.
Aqui, eu atuei como captador de som, além de ajudar na produção executiva.




CONVITE PARA A ESTREIA DO MÊS

28 de maio de 2012 | segunda-feira | 20 horas


A CINECLUBETERIA BOCA DO PÚBLICO apresenta neste mês a pré-estreia do filme FETOS LÍVIDOS, de Diomedio Piskator, segunda-feira, dia 28 de maio de 2012, às 20 horas, à rua do Triunfo, 301, Luz, centro de São Paulo.



Fetos Lívidos

Brasil/SP, 2012, cor, 33 minutos, ficção.



Direção: DIOMÉDIO PISKATOR

Roteiro: MACÁRIO OHANA VANGELIS, DIOMEDIO PISKATOR

Fotografia: TONY D’CIAMBRA

Montagem: RENAN SILBAR

Realização: FILMIKA&FILMIKA

Elenco: ROGÉRIO D’COSTA, MONICA MATOS, MARCOS SUCHARSKI, MAURO PERSIL, DANIEL SANTOS, EMERSON GROTTI, EVANDRO PALMA, JONAS MARCELO, RAQUEL ARAÚJO, GERALDO MÁRIO, JULIANA BENEDITO.

Sinopse: Amigos a margem da sociedade buscam o sentido da existência através do poema falado.



Iniciativa

Memorial do Cinema Paulista



Participação

Centro de Estudos Fílmicos Denoy de Oliveira



Colaboração

Cia Pessoal do Faroeste

domingo, 20 de maio de 2012

O ÔNIBUS DA MEIA NOITE

Roteiro que está sendo transformado em animação.
Em breve, mais informações.


1-Ext-Ponto de ônibus-Noite

Avenida deserta.RAPAZ está sentado no banco do ponto de ônibus, lendo um livro.Ele olha para o relógio. 23:57 hs.
Ele olha na direção de onde o ônibus virá.Ele reinicia a leitura do livro.
Enquanto o RAPAZ lê o livro, vemos uma sombra sobre ele.Pela sombra, notamos que alguém se sentou ao seu lado.
RAPAZ se vira pra olhar.Se assusta.Ao lado dele, tem um DRÁCULA.
O RAPAZ tenta se afastar do DRÁCULA, mas ouve sons de passos, olha para o outro lado: Um LOBISOMEM senta-se do outro lado do RAPAZ.
O RAPAZ fica assustado.Mais passos.RAPAZ olha pra frente: Atravessando a rua, um FRANKEINSTEIN e uma MÚMIA.
Eles se aproximam do ponto de ônibus, parando de frente pra rua.O RAPAZ, com pavor, observa cada um dos monstros.
O DRÁCULA observa as unhas.O LOBISOMEM se coça. A MÚMIA e o FRANKEISNTEIN estão parados.
Um farol ilumina todos.Um ônibus pára no ponto.A porta do ônibus abre.O motorista é uma caveira.Os monstros entram, o ônibus parte.RAPAZ fica no ponto, catatônico.

EPILOGO

Em 2008, eu e meus amigos do CINECLUBE PILAR resolvemos participar de um concurso de curtas de São Caetano do Sul. O tema era "Como você vê o Amanhã".
Bolamos alguns argumentos, e fomos à obra.
EPÍLOGO é um desses curtas.



Infelizmente, não conseguirmos editar os filmes em tempo de participar do concurso, mas não desistimos dos filmes.

Abaixo, os bastidores da gravação:

domingo, 13 de maio de 2012

FECHADO POR LUTO



OUTRO ROTEIRO INÉDITO, ESPERANDO PRA ALGUM INTERESSADO PRODUZIR.

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FECHADO POR LUTO
Roteiro por Lexy Soares


SEQ 1 -INT / GRÁFICA / DIA

HOMEM entra na gráfica, meio triste, e se aproxima do BALCONISTA.

BALCONISTA:
Pois não?

HOMEM:
Eu queria fazer um cartaz, escrito "Fechado por luto”, por favor.

BALCONISTA:
Claro.

O BALCONISTA vai até seu computador, e abre um arquivo com um cartaz já pronto. Imprime, e entrega pro HOMEM.

BALCONISTA:
Aqui está.

O HOMEM olha o cartaz, e faz cara feia.

HOMEM:
Está meio feio, não?

BALCONISTA:
Como assim?

HOMEM:
Sei lá. Não é o que eu esperava.

BALCONISTA:
É um cartaz, como você me pediu. "Fechado por luto!”.

HOMEM:
Eu sei, mas não é algo assim que eu queria...Eu quero algo mais chamativo.Este cartaz não chama atenção.Ninguém vai lê-lo.No dia seguinte, vão me perguntar porquê eu fechei a loja.Eu quero que as pessoas leiam o cartaz, pra saber o porquê de estar fechado, no dia, não que me perguntem depois.

BALCONISTA:
Tá bom, eu entendi.

BALCONISTA se vira, meio emburrado. Volta pro micro, e produz outro cartaz. Quando termina, ele mostra a tela do micro pro HOMEM.

BALCONISTA:
E agora? Gostou?

HOMEM:
Ainda não é bem isso o que eu quero.Quero algo inovador, sabe? Esse cartaz está muito frio.

BALCONISTA:
Mas luto é pra ser frio mesmo, cara!

HOMEM:
Sim, eu sei. Mas pros clientes, quero apenas deixar bem claro o porquê de estar fechado. Quero chamar a atenção deles! E o melhor modo de chamar a atenção das pessoas, é criando algo com um design inovador, algo que capte a atenção de quem passa na rua; Um cartaz que pareça dizer "ei, você! Olhe pra mim! Me leia!”.

BALCONISTA:
Tá bom. Saquei.

O BALCONISTA produz outro cartaz no micro. Vira o monitor pro HOMEM ver.

BALCONISTA:
E agora?

HOMEM:
É isso aí! Agora, sim!

O BALCONISTA imprime o cartaz.Quando entrega pro HOMEM.Ele fica admirando o cartaz na mão.


HOMEM:
Esse cartaz está maravilhoso! Muito obrigado!

BALCONISTA:
Disponha...

SEQ 2 - EXT / FRENTE DA LOJA / DIA

O cartaz de "Fechado por luto" está na fachada da loja. Várias pessoas passam e olham para a bela arte do cartaz, impressionadas. Algumas até param na frente da loja, pra admirar por mais tempo.


SEQ 3- EXT / FRENTE DA LOJA / DIA

No dia seguinte, várias pessoas estão na frente da loja, esperando ela abrir. Quando as portas se levantam, as pessoas ficam com raiva por não se tratar do tipo de loja que eles esperavam.

PESSOA 1:
O quê?

PESSOA 2:
É uma loja de...

PESSOA 3:
Eu fiquei aqui esperando por isso?

PESSOA 4:
Que merda!

As pessoas ficam irritadas, e vão embora, xingando. Escurecimento.


SEQ 4- EXT / FRENTE DA LOJA / DIA

Abre em fade. Um novo cartaz na fachada da loja, com os dizeres "Passo o ponto". Escurecimento. Sobrem os créditos finais.


THE FIM

CARREGADORES




MAIS UM ROTEIRO QUE NÃO FOI FILMADO. SE TIVER INTERESSE EM PRODUZIR, É SÓ DIZER!

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SEQ 1 - EXT – FEIRA-LIVRE – DIA

Imagens de pessoas fazendo compras, colocando as compras nos carrinhos; puxando os carrinhos; e meninos se aproximando pedindo pra carregar os carrinhos. Algum, as pessoas negam, outras aceitam. Meninos levando os carrinhos.


SEQ 2 – EXT – FEIRA-LIVRE – DIA

ZOINHO está levando o carrinho de uma MULHER até seu carro. A MULHER abre o porta-malas do carro, e os dois colocam as compras dentro. Quando terminam e guardar as coisas, a MULHER põe a mão no bolso, tira algumas moedas, e dá pra ZOINHO. Ele agradece, e vai pra junto de ÉBANO, e GORDURA.


ÉBANO:
E aí, Zoinho! Ela deu quanto?

ZOINHO:
Só uns trocadinhos. Véia pão dura!

GORDURA:
Tem gente que é foda! Nem pra dar o suficiente pra comprar pastel.

ÉBANO:
São esses mauricinhos. Eles são uns mão-de-vaca! Os mais simples dão mais trocado, porque sabe como a gente sofre.

GORDURA:
Tem que carregar carrinho das velhinhas. Elas sim que são legal. Sempre dão bastante dinheiro. As veiz, elas até dão algum doce, ou bolo.

ZOINHO:
Podi crê! Uma vez, eu ganhei um pedação de bolo enorme! Desse tamanho!


Ele faz o gesto do tamanho do bolo com as mãos


ÉBANO:
É, mas tem que tomar cuidado! Lembra do touquinha?

ZOINHO:
Quê que tem ele?

ÉBANO:
Ele foi carregar o carrinho de uma velhinha, e nunca mais voltou!


GORDURA:
Ah, se liga!

ÉBANO:
É verdade, eu juro! Você viu ele depois daquele dia?

ZOINHO:
Isso é história. Ele deve ter ido pra uma feira de outro lugar. Ou fazer malabares no farol. Dizem que dá mais dinheiro...

ÉBANO:
Duvido!

GORDURA:
E o que você acha que aconteceu com ele?

ÉBANO:
Eu...

ZOINHO:
(interrompendo)
Olha lá uma velhinha, Gordura! É a sua vez de carregar!


SEQ 3 – EXT – FEIRA-LIVRE – DIA

A VELHA está carregando seu carrinho, aparentando cansaço. GORDURA se aproxima dela.

GORDURA:
Posso carregar pra senhora?

VELHA:
Claro, claro! Carrega! Aqui, pega!

A VELHA passa o carrinho pro GORDURA, que o puxa, acompanhando a VELHA. O dois vão até a casa da VELHA. Ela fala durante todo o caminho.


VELHA:
Brigada, menino! Você é um menino forte, carregando meu carrinho! Quando chegar em casa, vou te dar uma surpresa especial! Você é bem forte! Tem músculos fortes! Deve ter muitas proteínas! Eu sempre deixo um menino carregar me carrinho. Eu gosto de meninos, são tão bonzinhos, eu gosto de meninos bonzinhos, sabe?

GORDURA:
Brigado.

VELHA:
A minha casa é logo ali. Você não tá cansado, né? Você é um menino forte! Eu gosto de meninos fortes. Principalmente os moreninhos, que são os mais fortes. Chegamos.


Eles param em frente à casa da VELHA.Ela pega a chave, e coloca na fechadura.


SEQ 4 –INT – CASA DA VELHA – DIA

GORDURA e VELHA entram na casa.


VELHA:
Pode entrar. Coloca o carrinho aqui na cozinha, que eu vou pegar ma coisinha.


A VELHA sai da cozinha, mas continua falando. Dá pra ouvir o que ela fala da cozinha. Enquanto ela fala, GORDURA fica admirando a casa.


VELHA:
Fica aí, que eu já volto. Eu gosto de meninos bonzinhos. Eu sempre deixo carregar meu carrinho. Eu adoro moreninhos, como você. Tem músculos fortes. Delicioso.


GORDURA fica olhando as coisas na cozinha. Até que seu olhar vai até uma porta panos, na parede. Ele pega o pano, e nota que é uma touca. Ele se assusta, e vai até a porta. Tenta abrir, mas está trancada. Ouve a VELHA atrás dele.


VELHA:
Não vai embora ainda, não!


GORDURA se vira, e se assusta com o que vê. A VELHA está com uma faca numa mão, e um garfo na outra. Ela bate um talher no outro, e lambe os lábios.


SEQ 5 – EXT – FEIRA-LIVRE – DIA

Um homem está colocando as compras no porta-malas do carro. Quando acaba, ele dá um trocado para ÉBANO. Ele vai até ZOINHO.


ZOINHO:
E aí, quanto ele deu?

ÉBANO:
Umas moedas. Homem é tudo pão-duro. Mulher dá mais dinheiro.

ZOINHO:
Pode crê.

OS meninos ficam um momento observando o movimento de pessoas. De repente, ZIONHO, num impulso, fala com se tivesse acabado de se lembrar de algo que havia esquecido.


ZOINHO:
Ei, e o Gordura? Você viu ele hoje?

OS meninos fazem gestos com os ombros e mãos de que não fazem idéia de onde ele está. Eles ficam ali, esperando pra carregar as compras de alguém.

ABRE A PORTA, MOTORISTA




Mais um roteiro inédito.
Alguém quer filmar?


SEQ 1 – EXT – RUA – DIA

Ônibus chega em um ponto, pára, e pega passageiros.


CRÉDITOS DO FILME


SEQ 2 – INT – ÔNIBUS – DIA

MORTORISTA dirigindo o ônibus.


SEQ 3 – EXT / INT– PONTO DE ÔNIBUS – DIA

MOTORISTA pára, pega alguns passageiros. Dentro do ônibus, outros passageiros se preparam pra descer do ônibus. O ônibus fica parado, mas a porta não se abre. Um dos passageiros aperta o sinal de parada, mas nada da porta abrir.Um HOMEM fica irritado, e grita na direção do MOTORISTA.

HOMEM:
Abre a porta, motorista!

MOTORISTA (cantando):
Eu não abro, não! / Você vem da pagodeira, / vai curar sua canseira / bem longe do meu portão.

MOTORISTA dá uma risada, e abre a porta. Passageiros descem xingando o MOTORISTA.


SEQ 4 – INT – ÔNIBUS – DIA

Enquanto o ônibus roda, uma mão de um passageiro aperta o sinal de parada.


SEQ 5 – INT / EXT – PONTO DE ÔNIBUS – DIA

Ônibus pára em outro ponto. Enquanto alguns passageiros sobrem, outros se posicionam pra descer, e novamente, O MOTORISTA não abre a porta traseira.Uma SENHORA grita pro MOTORISTA.

SENHORA:
Abre a porta, Motorista!

MOTORISTA (cantando):
Eu não abro, não! / Você vem da pagodeira, / vai curar sua canseira / bem longe do meu portão.

MOTORISTA dá uma risada, e abre a porta. Passageiros descem do ônibus.A SENHORA desce vagarosamente, tremendo de raiva. Ela aponta sua bengala na direção do MOTORISTA, xingando, enquanto o ônibus sai.


SEQ 6 – INT / EXT – ÔNIBUS – DIA

Enquanto guia pelas ruas, o MOTORISTA segue sorrindo. Alguns passageiros fazem cara feia, na direção do MOTORISTA. Uma MÃE com FILHO se aproxima da porta, e dá o sinal de parada.


SEQ 7 – EXT – PONTO DE ÔNIBUS – DIA

Uma MULHER se posiciona pra pegar o ônibus, que vai parando no ponto. A porta se abre, e o MOTORISTA se vira na direção da passageira que entra. Na porta traseira, uma MÃE fica na porta, segurando a mão de uma criança, esperando o MOTORISTA abrir a porta. Ela se vira na direção do MOTORISTA, e fala pra outros passageiros.

MÃE:
Esse motorista filho da puta não vai abrir a porta, não?

NEGÃO:
Ô, Motorista! Abre aporta, caralho!

MOTORISTA (cantando):
Eu não abro, não! / Você vem da pagodeira, / vai curar sua canseira / bem longe do meu portão.

MOTORISTA dá uma risada, e abre a porta. Passageiros descem xingando o MOTORISTA. A MÃE desce com tanta raiva, que sai puxando o FILHO, que quase cai ao tentar acompanhar. NEGÃO Olha na direção do MOTORISTA, e faz sinal de “banana” enquanto o ônibus sai.


SEQ 8 – INT – ÔNIBUS – DIA

Ônibus vai se aproximando do próximo ponto. Alguns passageiros vão se aproximando da porta. O ônibus pára no ponto. Os passageiros ficam na porta, esperando o MOTORISTA abrir, mas ele não abre. Todos ficam esperando por um momento. Uma MULHER suspira de raiva, um IDOSO passa a mão na cabeça. MOTORISTA espera, sorrindo maliciosamente. MOÇA fica impaciente.

MOÇA (gritando):
Ô, motorista! Que palhaçada é essa? Tem gente aqui esperando pra descer! Você vai abrir a porta, ou não?

Motorista se vira lentamente, sorrindo como criança.

MOTORISTA (cantando):
Eu não abro, não! / Você vem da pagodeira, / vai curar sua canseira / bem longe do meu portão.

MOTORISTA dá uma risada, e abre a porta.


SEQ 9 – EXT – DIA – PONTO

As pessoas descem, cada uma vai pra um lado, esbravejando, e bufando. NAMORADO espera a MOÇA. Vai beija-la. Ônibus sai.

NAMORADO:
Oi, amor. Que foi?

MOÇA:
Esse motorista filhadaputa! Não queria abrir a porta pra gente descer.


SEQ 10 – INT – ÔNIBUS – DIA

Uma mão aperta o sinal de parada. O MOTORISTA pára o ônibus, sorrindo. Ele espera. Vozes começam a xinga-lo.

VOZ OFF 1:
Putaquepariu...


VOZ OFF 2:
De novo...?

VOZ OFF 3:
Que damér...

MOTORISTA fica rindo baixinho, esperando.

VOZ OFF 4:
Ô, motorista! Abre a porta!

MOTORISTA (cantando):
Eu não abro, não! / Você vem da pagodeira, / vai...

Um tiro acerta o MOTORISTA na cabeça. Ele cai em cima do botão que abre a porta. Enquanto a porta abre, é mostrado um CARECA com uma arma na mão.

CARECA:
Não abre agora, que eu quero ver...

PRIMEIRA CARTELA DE CRÉDITOS FINAIS.

Porta se abrindo, e as pessoas descendo, felizes.Batendo palmas, e ovacionando.

SEGUNDA CARTELA DE CRÉDITOS FINAIS.

As pessoas descem carregando o CARECA, como um herói.

TERCEIRA CERTELA DE CRÉDITOS FINAIS.

Uma MOCINHA dá um beijo no rosto do CARECA. Todos cantam e dançam ao redor dele.

ESCURECIMENTO.

CRÉDITOS FINAIS.

THE FIM
(12 de março de 2009)

FUI ALI COMPRAR CIGARROS E JÁ VOLTO



Eu comecei a filmar ese roteiro, mas não pude terminar. Só filmamos ums cena.
Quem quiser refilmar, é só falar

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SEQ 1 - INT – QUARTO –DIA

CARLA acorda, se espreguiçando suavemente.Ela leva a mão até o lado da cama, e nota que está faltando MARIANO. Ela se desespera, levanta da cama, jogando os lençóis no chão.Anda pelo quarto, chamando por MARIANO.

CARLA:
Mariano?

SEQ 2 – INT –APARTAMENTO –DIA

CARLA anda por todos os cômodos do apartamento.Sempre chamando por MARIANO.

CARLA:
Mariano?

SEQ 3 – INT –COZINHA –DIA

CARLA entra na cozinha.

CARLA:
Mariano?

CARLA encontra um bilhete pregado na porta da geladeira, onde MARIANO escreveu que foi comprar cigarros e já volta.Ela lê o bilhete, começando a chorar e o bilhete a tremer em sua mão.Ela amassa o bilhete, se recosta na parede, chorando.

SEQ 4 –INT –APARTAMETO –DIA

CARLA anda pelo apartamento, triste.Ela vai até a sala de estar, relembrando alguns momentos vividos com MARIANO.

INSERT 1:
Os dois passeando abraçados.

INSERT 2:
Os dois se beijando numa praça.

INSERT 3:
Os dois no apartamento.Ele com as mãos nos olhos dela.Ele retira as mãos, e ela se maravilha ao ver o apê, o abraça e o beija.

CARLA, chorando, encosta-se à parede da sala, caindo no chão aos poucos.

INSERT 4:
Os dois estão numa lanchonete, e uma amiga dele aparece, e cumprimenta os dois.

CARLA então levanta os olhos, mudando a expressão para surpresa, depois para raiva.

CARLA:
Filhos da puta!

SEQ 5 -INT –QUARTO –DIA

CARLA trocando de roupas, se vestindo com raiva.Ela pega a bolsa.

SEQ 6 -INT -COZINHA –DIA

CARLA se prepara pra sair, chega perto da porta, e olha pra pia.Ela olha na direção das facas.Ela vai até lá, e pega uma das facas.Ela admira a faca na mão por um momento, depois a coloca na bolsa. Ela se vira pra sair, quando um barulho de chaves na porta chama a sua atenção.A porta se abre, e MARIANO entra, sorrindo.Ela fica sem reação, parada no lugar.

MARIANO:
Oi, amor! Já acordou? Desculpe por ter demorado tanto.

MARIANO entra, tranca a porta, e mostra o pacote de pães na mão.

MARIANO:
Eu fui até a padaria da esquina, mas não tinha o cigarro que eu fumo, então, tive que ir no mercado.E você sabe como essas filas de mercado demoram.Tem gente que usa cartão até pra pagar uma bala. Se por um lado o carão facilita, por outro, uma comprinha de nada leva um ano pra passar no caixa.Você vai sair?

MARIANO se aproxima de CARLA, e a beija no rosto, enquanto ela fica sem saber como agir.

CARLA:
É... Eu ia comprar pão...Mas como você já trouxe...

Depois do beijo, MARIANO a abraça, e ela sorri, meio encabulada.Ele, ao abraça-la, passa a mão pela bolsa dela.

MARIANO:
O que é esse volume na sua bolsa?


CARLA arregala os olhos.
THE FIM 01 de setembro de 2008